O mercado norte-americano e europeu já não são mais os mesmos no que concerne à venda de motos. Ambos tiveram um ano de vendas ruim em 2025, em uma tendência que já vem de muitos anos.

A análise foi feita pelo Motorcycle Data, que avalia o emplacamento de veículos de duas rodas em 97 países. É uma forma mais confiável do que os números apresentados pelas fabricantes, que reportam os números de vendas no varejo, o que não significa necessariamente o número de motos circulando nas ruas.
Segundo eles, o mercado europeu apresentou um desempenho profundamente negativo em 2025, 1,68 milhão de unidades (-9,1% em relação à 2024), que já havia sido deprimente. A forte tendência de queda em grandes mercados como França (-20,8%) e Alemanha (-22,8%) impactou negativamente o resultado.
O maior mercado continua sendo a Itália, onde as vendas caíram -7,3%. O sempre influente Reino Unido viu uma queda de -14,2%. Por outro lado, graças a um crescimento de 7,1%, a Espanha se tornou o segundo maior mercado da Europa. A Grécia continua crescendo em 6º lugar (4,1%), seguida pela Polônia (9,9%) e Suíça (7,8%).
Muito disso se deveu à necessidade de liquidar o grande estoque de unidades registradas pelas concessionárias que várias montadoras foram obrigadas a estocar no último trimestre de 2024 devido ao Euro5, que expirou em 2025 e passou a valer o Euro5+, ainda mais restritivo. Lembra-se do que disse a Ducati?

Esses dados referem-se ao setor de motocicletas em sua ampla abrangência, incluindo não apenas veículos de duas e três rodas, como ciclomotores, scooters e motocicletas, mas também outros veículos, como quadriciclos, geralmente incluídos nesse setor e não incluem as bicicletas motorizadas dentro do setor.
Do outro lado do Atlântico as coisas não estão muito melhores. Após o prejuízo do ano anterior, as vendas de motocicletas caíram mais de 5% em 2025, apenas 507.311. O segmento de motocicletas elétricas cresceu 6,6%, mas permanece insignificante em termos de volume total de mercado.
De acordo com a análise, o custo do comércio com os Estados Unidos aumentou acentuadamente em 2025, com a taxa média de tarifas subindo de aproximadamente 2,5% para cerca de 16,5%. Parece que o regime tarifário introduzido pelo governo Trump está criando incentivos não intencionais para que as fabricantes chinesas expandam sua presença no mercado americano.
Quer saber qual a fabricante que mais vende nos EUA? Se você pensou Honda, você acertou. Mas a marca japonesa viu uma queda de -12,1% nas vendas, enquanto a Kawasaki, em segundo, registrou um robusto aumento de 12,7%. Agora em terceiro lugar, a Harley-Davidson registrou uma queda de -12,9%. A KTM ficou em quarto lugar com uma queda acentuada de -25,4%, seguida pela Suzuki em quinto lugar (-15,6%) e pela BMW em sexto (-12,4%).
É por isso que as fabricantes hoje já colocam China (+0,4%, 12 milhões de motos vendidas) e Índia (+3,5%, 20,7 milhões) na frente em termos de prioridade. A América do Sul também está bem na foto, com crescimentos consistentes nos últimos anos Brasil (+17%) e Argentina (+33%) lideram o continente.
