A Harley-Davidson apresentou os resultados financeiros para o ano de 2025. A icônica marca norte-americana viu suas vendas encolherem outros 12% sobre o já ruim ano de 2024 e hoje vende a metade do que vendia em 2015.

Foram 132.535 unidades entregues globalmente em 2025 ao passo em 2024 haviam sido 148.900. Em 2023 foram 162.771. Em 2022, 178.451. É uma tendência negativa que se iniciou em 2015. Naquele ano, a Harley comercializou mais de 265 mil motocicletas, ou seja, praticamente o dobro de agora, 49.98%.
A receita caiu de 2024 para 2025 outros 14%, ou seja quase US$ 4,5 bilhões. Como resultado, a divisão de vendas de motocicletas da HDMC sofreu um prejuízo de US$ 29 milhões. Um ponto positivo foi a queda no estoque: o número de motocicletas não vendidas nas concessionárias caiu 17%, para cerca de 40.000.
O novo CEO da Harley-Davidson, Artie Starrs, também não conseguiu fornecer uma previsão muito otimista para 2026, esperando outro declínio, para 130.000 unidades, um lucro esperado entre € 10 milhões e um prejuízo de € 40 milhões. Como resultado, o preço das ações da empresa caiu 8% após este anúncio.
A subsidiária de motos elétricas LiveWire vendeu apenas 653 motocicletas elétricas em 2025. Mas isso significou um aumento de 7% em comparação com as 612 unidades vendidas em 2024. De qualquer forma, muito longe da expectativa prevista para 2025, de comercializar de 1.000 a 1.500 motocicletas.
Uma das poucas boas notícias, no entanto, foram as vendas das bicicletas elétricas infantis Stacyc, 12.141 unidades, um aumento de 15%. Isso contribuiu para um aumento de 3% na receita, para US$ 25,7 milhões e o prejuízo diminuiu de US$ 109,6 milhões em 2024 para US$ 75 milhões em 2025.

Além disso, a Harley-Davidson Financial Services (HDFS) quase dobrou sua receita em comparação com 2024, mas isso se deve em boa parte à venda de uma grande parcela dessa divisão para os investidores KKR e Pimco. Como resultado, as finanças da empresa se tornaram um pouco menos transparentes.
O que explica tamanho declínio em 10 anos? A resposta, como em todos os casos, não é simples. Mas o envelhecimento de seu público alvo (70 anos), além de atuar apenas em segmentos de alta cilindrada procurado por uma pequena fatia de clientes, em meio a um cenário geopolítico cada vez mais desafiador, são bons palpites.
As tarifas de Donald Trump e as consequentes retaliações mundiais, que já haviam prejudicado a Harley durante o primeiro governo (2016-2020) também voltaram com tudo em 2025, pois a marca hoje em dia é muito dependente do mercado externo, como Europa, Ásia e América Latina.
A empresa pagou US$ 67 milhões em tarifas de importação no ano passado e a expectativa é que esse valor suba para entre US$ 75 milhões e US$ 105 milhões em 2026. Ainda assim, o relatório agradece especificamente à “Administração e ao Congresso dos EUA” porque, segundo os autores, “eles continuam a dar ouvidos à Harley-Davidson”.
