Foi descoberto um interessante registro de patente por parte da Yamaha: um braço oscilante com geometria variável, o que promete melhorar a tração e aderência nas curvas conforme a necessidade do momento.

A forma e o comprimento de um braço oscilante estão entre os itens mais estudados de uma motocicleta. Afinal, ele determina a distância entre eixos do veículo, além de como a suspensão traseira vai trabalhar e influencia ainda em outros aspectos, como o freio traseiro e o escapamento.
Falando a grosso modo, a distânca entre eixos implica diretamente no comportamento de uma motocicleta. A física – e a prática – nos ensinou que quanto maior for a distância, mais estável será a moto em linha reta; quanto mais curto, mais ágil ela fica em curvas. Localizar o compromisso ideal entre reta e curva é uma das preocupações dos engenheiros.
Ainda mais os engenheiros de corrida, que precisam lidar com uma variedade muito grande de circuitos de competição. Alguns tem retas muito longas e poucas curvas. Outros tem curvas em abundância e poucas retas. E o que você tem disponível na garagem para equilibrar a motocicleta, às vezes, não é suficiente.
A ideia da Yamaha é baseada nos sistemas de abaixamento da suspensão das MotoGP atuais, o chamado holeshot. Na largada, o piloto aciona um botão que abaixa a suspensão traseira ao ponto mais baixo possível, fazendo com que a motocicleta fique bem mais estável no ponto de aceleração, voltando a sua posição normal quando o piloto aciona o freio no fim da reta.

Desenvolvido nos últimos anos, o holeshot também passou a ser usado em retas durante as corridas. O projeto da Yamaha utiliza o dispositivo dentro do próprio braço oscilante. A seção dianteira da balança é fixada convencionalmente à articulação do amortecedor traseiro, mas a roda traseira pode ser ajustada para cima ou para baixo independentemente.
E não parece ser um sistema projetado especificamente para a MotoGP. Ao contrário do holeshot (permitido até o final de 2026), a patente descreve o projeto como sendo controlado por um atuador motorizado, que reage a sinais de sensores que indicam quando a moto está acelerando, fazendo curvas ou desacelerando.
Isso não se enquadra nos regulamentos da MotoGP atual, que permite apenas que sistemas puramente mecânicos façam o trabalho – e serão banidos a partir de 2027. Já o sistema descrito na nova patente é um dispositivo experimental projetado para explorar o potencial de uma geometria de balança totalmente variável.
Será interessante ver se a equipe Yamaha de MotoGP vai experimentar a ideia ao longo de 2026. Os primeiros testes (não se sabe se com a peça ou não) na Malásia foram desanimadores. Mas sem dúvida eles podem aprender lições valiosas, mesmo que o sistema nunca seja implementado em corridas ou em produção em série.
