Com os conflitos no Oriente Médio se intensificando, parece questão de tempo até lermos o adiamento (ou até o cancelamento) do GP do Catar, previsto para ser realizado em 12 de abril. Quais são as alternativas que a MotoGP tem?

Desde que os Estados Unidos e Israel decidiram atacar o Irã em 28 de fevereiro, as tensões só têm aumentado na região. Países antes tranquilos como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Catar acabaram sendo arrastados para o conflito e estão em estado de alerta, com seus respectivos espaços aéreos isolados e aeroportos interditados.
As consequências já estão em curso. O GP do Bahrein de Fórmula 1 já foi adiado e o GP do Catar de MotoGP, realizado no mesmo dia no país vizinho também deve ser. Além das dificuldades logísticas (tudo chega só por via aérea), é simplesmente inseguro realizar um evento que reune centenas de milhares de pessoas em um só espaço.
Todas as partes envolvidas estão cientes de que realizar o evento em uma zona de guerra é inviável. Portanto, as conversas provavelmente já estão centradas em opções alternativas. Dois cenários principais devem ser considerados.
O primeiro, já aventado pelo ex-CEO da Dorna (agora MotoGP Sports Entertainment Group), Carmelo Ezpeleta, é simplesmente o adiamento do GP do Catar para um momento posterior – ainda esse ano. A primeira aposta é de que as hostilidades não devem durar e o Grande Prêmio retornaria em algum momento no segundo semestre.
Nesse cenário, a única solução possível seria uma nova tentativa de realizar o GP do Catar logo após o GP da Malásia (1º de novembro) e antes do GP de Portugal (15 de novembro). Correr lá durante a fase europeia que começa em abril, é logisticamente e finaneiramente inviável.
Mas não parece que a guerra vai acabar tão cedo. Tanto Estados Unidos quanto Irã já deram declarações que não vão se render e o conflito pode se arrastar por meses ou anos, como acontece entre Rússia e Ucrânia, em guerra desde fevereiro de 2022. A opção de cancelar definitivamente o GP do Catar, portanto, não pode ser descartada.
Nesse caso, para manter o calendário atual de 22 eventos e 44 corridas, eles teriam que recorrer a outro circuito homologado nos padrões da FIM, mas nenhum foi mencionado até agora. Ou isso ou uma rodada dupla em um dos circuitos do calendário, alternativa que foi utilizada em 2020, devido aos impedimentos da pandemia de COVID-19.
Apesar dos contratos existentes, o cancelamento pode ser facilmente justificado pela alegação de força maior, algo que, inclusive, já está previsto na maioria desses contratos, com cláusulas em caso de pandemia ou guerra, sem risco de processos legais aos envolvidos. O motociclismo internacional já tem bastante experiência com esse tipo de situação.
