Enquanto o futuro da KTM era negociado em 2025, os vendedores da marca austríaca só tinham uma missão: vender o máximo possível e se livrar do (imenso) estoque encalhado nas concessionárias. O resultado apareceu agora, 209.704 unidades vendidas, mais até do que a rival BMW.

Quando a Pierer Mobility declarou insolvência em 30 de novembro de 2024, ninguém entendeu direito por quê. Aos poucos, a verdade veio à tona. Uma produção desproporcional ao número de vendas. Em 31 de dezembro daquele ano, 248.580 motocicletas estavam em estoque nos pátios das concessionárias.
A primeira ordem que os vendedores da KTM, Husqvarna e GasGas receberam de seus novos gestores (leia-se, o novo CEO, Gottfried Neumeister e a nova dona, Bajaj Auto) foi livrar-se delas o quanto antes. Enquanto isso, a produção em Mattighofen, Áustria, era paralisada. 2025 foi um bom ano para comprar essas motos por preços convidativos.
O resultado apareceu no primeiro release sob a direção da agora chamada Bajaj Mobility AG: 209.704 motocicletas vendidas em 2025. Isso é mais do que as vendas da rival histórica, BMW Motorrad (202.563 unidades), bem mais saudável financeiramente.
Foram 50.334 unidades vendidas no primeiro semestre de 2025, exatamente no momento em que a fábrica estava parada e o futuro das marcas ainda era incerto. A Bajaj só assumiu o comando em maio. No segundo semestre, já com os indianos ditando as regras, as vendas aumentaram para 80.464 motocicletas.
Incrivelmente esse esforço extraordinário não foi suficiente para zerar os estoques. Em 31 de dezembro de 2025, ainda haviam 147.427 unidades disponíveis, o que demonstra claramente que o descarrilhamento da empresa sob a direção de Stefan Pierer, Herbert Trunkenpolz e outros não foi pequeno.
Além disso, essas 209.704 motocicletas vendidas representam 28% a menos do que a empresa estava acostumada a vender no passado recente e o lucro líquido (aproximadamente 1 bilhão de euros) foi 46% menor. Como parte do encerramento da divisão de bicicletas, foram vendidas 64.110 bicicletas elétricas e convencionais (ano anterior: 106.311).
Agora, a Bajaj está iniciando um programa global de reestruturação. Com esse encolhimento, cerca de 500 funcionários, principalmente em áreas administrativas e de gestão intermediária, vão ser cortados. O número de funcionários em 31 de dezembro de 2024 era de 5.310. Um ano depois já recuou para 3.794.
O objetivo, segundo a Bajaj, é fortalecer a competitividade a longo prazo, reduzindo custos fixos, simplificando estruturas, focando o portfólio de produtos e projetos e otimizando nossa localização internacional e rede de gestão. Como se vê, o trabalho está apenas começando.
