A Ducati revelou ontem (26) todos os detalhes da Superleggera V4 Centenario, nova edição limitada a 500 unidades da superbike que comemora os 100 anos da marca. O grande destaque são os freios de carbono-cerâmica, pela primeira vez homologados para utilização em vias públicas.

A base da motocicleta é a Panigale V4S atualizada em 2024, mas refinada e melhorada em cada detalhe. O motor Desmosedici Stradale de 1.100 cm³ passou por uma revisão combinando os cabeçotes do motor de 1.103cm³ da Panigale V4R (versão de homologação do WorldSBK) com um virabrequim forjado com insertos de tungstênio.
O chassi é construído totalmente em fibra de carbono laminada. Quadro dianteiro, seção traseira, balança, carenagem, rodas – praticamente tudo é feito de carbono. Todos os componentes passaram por testes triplos, incluindo inspeções industriais por raios X para detectar inclusões de ar, além de análises de espessura e peso do material.
A fibra de carbono tem uma participação muito mais significativa do que apenas estética e redução de peso; trata-se de melhorar a dirigibilidade. A rigidez lateral da estrutura dianteira é deliberadamente reduzida para aprimorar a sensibilidade e a resposta da direção. A seção traseira é uma peça única em vez de duas metades, e a balança oca de dois braços é criada usando um balão cheio de cera que é derretido após a laminação.
A suspensão segue a mesma lógica. Os garfos Öhlins NPX 25/30 de 43 mm com hastes de carbono são projetados para máxima estabilidade com a melhor sensibilidade. O amortecedor mecânico Öhlins TTX36 GP-LW com articulação em titânio utiliza uma mola de 115 Nm (85 lb-ft) feita de aço especial de grau aeronáutico, possui válvulas inspiradas na MotoGP e pode ser pré-carregado hidraulicamente sem ferramentas.

Pela primeira vez na história, um freio de carbono-cerâmica é homologado para uso em vias públicas atua na dianteira. Pinças monobloco Brembo GP4-HY mordem discos de 340 milímetros que, apesar do tamanho maior, pesam o mesmo que os discos padrão de 330 milímetros de uma Panigale V4, mas, segundo a Ducati, oferecem 39% menos inércia. As rodas BST sul africanas (mas fabricadas na Itália) economizam ainda mais gramas de peso.
O resultado é estonteante: a Superleggera V4 Centenario despeja no asfalto 228 cv em um conjunto que pesa apenas 173 kg (sem combustível). Não está satisfeito? Com um kit de competição, ela chega a impressionantes 247 cv com apenas 167 kg, o que equivale a aproximadamente 1,5 cv por kg. Não existe nada mais próximo de uma MotoGP do que isso.
Pensando nos meros mortais que vão comprar essa máquina projetada para pilotos profissionais, a Ducati também levou a parte eletrônica um passo adiante. Todos os auxílios Evo foram revisados e novos algoritmos levam em consideração o peso e a potência. A nova função DEB (Dynamic Engine Brake) funciona em conjunto com o freio traseiro automático e CBS, otimizando assim a desaceleração e a escolha da trajetória.
A nova Ducati Superleggera V4 Centenario deverá custar 150.000 euros (cerca de 904,7 mil reais). Para efeito de comparação, a Panigale V4R do WorldSBK, custa €40.000, o que já é exorbitante. Tem mais: há uma versão Tricolore, pintada à mão com as cores da bandeira italiana e essa custa cerca de € 200.000 (R$ 1,2 milhão). Mesmo quem pode pagar essas quantias com facilidade ainda precisa fazer uma oferta.

















