A Bajaj Mobility AG está implementando mudanças muito sérias dentro do grupo KTM do que se imagina. A nova gestão elimina negócios secundários, contrata executivos da BMW e prepara centenas de demissões.

Desde que assumiu o controle da KTM em meados do ano passado, a Bajaj Auto tem se concentrado em interromper a verdadeira sangria de dinheiro que estava em curso na marca austríaca. E embora a situação financeira ainda esteja longe do ideal, os números iniciais começam a oferecer algum alívio, de acordo com os primeiros relatórios.
O primeiro objetivo era eliminar o imenso estoque de motocicletas nos pátios das concessionárias. Durante o primeiro trimestre de 2026, a KTM, a Husqvarna e a GasGas venderam mais de 40.000 motocicletas em todo o mundo, um aumento de mais de 125% em relação ao ano anterior.
Isso permitiu que a fabricante saísse do vermelho e conseguisse fechar o trimestre com um EBITDA positivo de € 5,5 milhões. Mesmo assim, ainda existem prejuízos operacionais de mais de € 26 milhões para serem corrigidos. E para isso, a Bajaj está disposta a fazer cortes radicais, segundo a imprensa europeia.
O foco é cortar tudo o que não seja estritamente motocicletas. Isso significa qque a KTM está praticamente abandonando o negócio de bicicletas elétricas (eBikes), liquidando o projeto do carro esportivo KTM X-Bow e rompendo acordos industriais com marcas como a italiana MV Agusta e a chinesa CFMoto

O término do contrato de distribuição de motocicletas da CFMoto é especialmente significativo, porque eles atuavam em diversos países europeus. Além disso, eles já começaram a reduzir seu quadro de funcionários e está se preparando para demitir até 500 pessoas nos próximos meses, principalmente em escritórios e cargos de gerência intermediária.
Por outro lado, a nova gestão começou a recrutar executivos da BMW Motorrad, como o novo diretor geral de vendas Stephan Reiff e Klaus Allisat e Johann von Balluseck nas vendas internacionais e europeias. Esse trio de executivos ocupava posições importantes na marca da hélice até poucas semanas atrás.
Eles chegam com a missão de transformar a KTM em uma empresa muito menor e mais simples, como era até alguns anos atrás. Ainda não se sabe o que será das marcas irmãs, Husqvarna e GasGas, adquiridas nos últimos anos da gestão de Stefan Pierer.
Da mesma maneira, ainda não temos uma afirmação convicente de que a KTM irá permanecer na MotoGP e nos esportes nos próximos anos. Uma coisa é certa: eles não querem mais que investidores externos comprem uma parte da KTM Factory Racing, como chegou ser cogitado alguns meses atrás.
“Queremos continuar gerenciando o programa de competição com independência estratégica e sem investidores”, disse o CEO da KTM Gottfried Neumeister ao Speedweek durante o Grande Prêmio da Catalunha. O executivo tem acompanhado algumas etapas recentemente. Eles, inclusive, teriam recusado uma proposta de 100 milhões de euros.



