O colapso financeiro que a KTM teve no ano passado resultou em um efeito dominó que acabou arrastando também a sua cidade-sede, Mattighofen, na Áustria, totalmente dependente de sua saúde financeira.

Com cerca de 8.000 habitantes, Mattighofen se moldou para servir a sua empresa mais famosa. Além de fornecer funcionários à KTM, a cidade também virou sede de uma série de empresas fornecedoras de insumos, além, claro, de providenciar toda a infraestrutura necessária à sua população.
Mas no ano passado, a fábrica da KTM precisou interromper a produção várias vezes até que seus novos proprietários fossem oficializados e os imensos estoques nas concessionárias fossem vendidos. Logo, as empresas fornecedoras, impossibilitadas de parar, também pediram falência.
O efeito dominó veio na sequência: menos empregos, menos encomendas para empresas locais, projetos imobiliários paralisados e famílias começando a considerar a possibilidade de ir embora. “Estamos com um déficit de um milhão de euros no orçamento; precisamos apertar os cintos”, disse o prefeito Daniel Lang.
Esse milhão corresponde quase que exatamente à perda anual de receita tributária ligada à KTM. As reduções de funcionários diminuiram a receita do Kommunalsteuer — o imposto municipal pago pelos empregadores e uma das principais fontes de financiamento da cidade — em cerca de um milhão de euros.
A cidade passou de um estado de prosperidade para o de uma vigilância constante. Cada despesa é revisada, cada investimento minuciosamente analisado. E a atmosfera é de tensa expectativa, como se tudo estivesse em suspenso até ver como a KTM vai reagir com a sua nova dona, a Bajaj Auto.
Os indianos adquiriram o controle da Pierer Mobility AG, a empresa gerenciadora da KTM e já está botando a sua mentalidade em marcha. A principal delas: levar a maior parte da produção para suas próprias fábricas na Índia: “a produção europeia está morta” disse o CEO da Bajaj, Rivaly Bajaj em uma entrevista de 2025.
Ainda assim, a expectativa é de que a sede em Mattighofen seja mantida principalmente como quartel-general e linha de produção dos modelos mais caros, com o selo “Made in Austria”. Mas uma coisa parece certa: o tamanho e o alcance da fábrica será consideravelmente menor.
