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De patinho feio à potência da MotoGP: a história da Aprilia no Campeonato Mundial

Lucas Carioli 24 de março de 2026

Depois de passar anos como coadjuvante, parece que a Aprilia está finalmente pronta para efetivamente brigar pelo título da MotoGP esse ano. Mas quem são eles? Conheça a sua rica história no Mundial de Motociclismo aqui.

Loris Reggiani foi o primeiro piloto a obter sucesso com uma Aprilia, em 1987.

Fundada por Alberto Beggio na região do Vêneto, Itália, em 1945, a Aprilia estabeleceu seu nome fazendo scooters e motonetas após a Segunda Guerra Mundial. Na Europa devastada pelo conflito, pequenos veículos eram uma necessidade e essa acabou por se tornar uma especialidade da empresa e uma de suas marcas registradas.

Mas o gosto por esportividade começou a surgir apenas em 1968 quando o filho de Beggio, Ivano assumiu a empresa. O primeiro piloto a se destacar com uma motocicleta Aprilia foi Ivan Alborghetti que venceu campeonatos de motocross italianos de 125 e 250cc.



Nos anos 1980, a Aprilia começou a se destacar internacionalmente. Em 1985, a marca passou a terceirizar motores para a empresa austríaca Rotax e logo surgiram verdadeiros foguetinhos como a STX 125 e ETX 350. Em 1986, eles lançaram a esportiva AF1, considerada uma precursora das pequenas superbikes tão em voga hoje em dia.

Daí em diante, ao mesmo tempo que ainda fazia scooters práticos, a Aprilia lançava motocicletas de pequena cilindrada que se tornaram sonhos de consumo dos motociclistas europeus, como a AF1 Futura, a polivalente Taureg 125 Rally e a esportiva RS 125 Extrema, de 1992, capa de muitas revistas da época.

Nos anos 1990, a Aprilia dominou a classe 250cc com Max Biaggi.

Desde 2004, a Aprilia faz parte do Grupo Piaggio, conglomerado que tem uma capacidade de produção anual de mais de 600.000 veículos e presença em 50 países. Atualmente, os modelos RSV4, Tuono V4, RS 660 e Taureg 660 são players sérios no mercado europeu, competindo de igual para igual com Ducati, KTM, BMW e as japonesas.

A chegada ao Mundial de Motociclismo aconteceu há bastante tempo, em 1987, e a primeira vitória não tardou a aparecer, no GP de San Marino daquele ano com Loris Reggiani nas 250cc. Com tanta expertise em motos pequenas, não demorou muito para a Aprilia se tornar uma frequentadora assídua dos primeiros lugares nas categorias de base.



O primeiro título veio em 1992 pelas mãos de Alessandro Gramigni nas 125cc. O segundo em 1994, com o japonês Kazuto Sakata. Mas foi com Max Biaggi, campeão nas 250cc em 1994, 1995 e 1996 que eles se transformaram em uma referência na classe e o piloto italiano em uma das maiores promessas do período.

Com todo esse sucesso, a Aprilia pensou que já era hora de tentar as 500cc. Ainda em 1994, eles desenvolveram uma moto diferente, a RSW-2 500, uma versão maior da RSV 250, com motor de dois cilindros e 410 cm³ (depois 430 cm³). A ideia era manter a grande agilidade da 250cc nas curvas com apenas um pouco mais de potêcia nas retas.

Doriano Romboni com a RSW-2 500 em 1997.

Infelizmente a prática não funcionou como a teoria. Embora realmente fosse uma moto muito ágil (peso total de 110 kg contra 130 kg das rivais), a RSW-2, com apenas 140 cv, era presa fácil para as quatro cilindros, que já nessa época batiam os 200 cv. Seu melhor resultado foi um terceiro lugar em 1997, antes do projeto ser encerrado em 2000.

Mas o sucesso nas classes menores continuava. Em 1997, outro italiano se sagrava campeão nas 125cc pela Aprilia, um tal de Valentino Rossi. Em 1998, o domínio nas 250cc foi tão grande que a decisão do título ficou entre os dois pilotos da equipe, Loris Capirossi e Tetsuya Harada. No ano seguinte, 1999, foi Rossi quem ficou com o título.



No início do século XXI, os novos regulamentos introduzidos pela FIM permitiram a volta dos motores de quatro tempos e 990 cm³ de cilindrada, dando início a nova era MotoGP. Isso estimulou a entrada de novos fabricantes, como Ducati e Kawasaki e com a Aprilia não foi diferente.

A fabricante investiu bastante apresentando a tecnológica Aprilia RS Cube em 2002, uma motocicleta com motor de três cilindros em linha, acelerador eletrônico (ride-by-wire), controle de tração e válvulas pneumáticas, desenvolvida com grande contribuição da Cosworth. Todos esses recursos, hoje corriqueiros, eram inéditos na época.

Shane Byrne com a RS Cube no início da era MotoGP.

Apesar do esforço, a RS Cube era difícil de pilotar. Nomes de reconhecido talento como Jeremy McWilliams, Regis Laconi, Shane Byrne e Colin Edwards não conseguiram entregar na forma de resultados tudo o que a Aprilia prometia no pacote. Com o crescente aumento nos custos, a montadora decidiu se retirar novamente ao final de 2004.

Nas classes menores, porém, o brilho continuava forte. Foi utilizando motos Aprilia que Jorge Lorenzo e Álvaro Bautista fizeram seus nomes nas categorias de acesso à MotoGP. Os últimos títulos vieram com Julian Simon e Nico Terol nas 125cc, antes da categoria passar a se chamar Moto3 em 2012.



Enquanto isso, a Aprilia decidiu se concentrar no Mundial de Superbike com a sua moto de rua, a RSV4. Sob o comando de Romano Albesiano, os italianos estiveram no topo da categoria entre 2010 e 2012 com Max Biaggi e novamente em 2014 com Sylvain Guintoli. É parte dessa estrutura que voltou à MotoGP em 2015.

De lá vieram o chefe de equipe, Romano Albesiano, e o piloto Marco Melandri. A equipe foi complementada pela estrutura da Gresini Racing, que trouxe o outro piloto, Alvaro Bautista. Novamente parecia bom no papel, mas na prática, o desempenho estava muito longe do esperado e a Aprilia comia poeira de Honda, Yamaha e Suzuki.

Marco Melandri com a versão inicial da Aprilia RS-GP em 2015.

Para 2017, uma nova dupla de pilotos, Aleix Espargaró e Sam Lowes foi escalada. Com exceção de alguns momentos de brilho, os resultados gerais permaneceram os mesmos. 2019 viu a chegada de Andrea Iannone, da Ducati, e de um novo chefe de equipe, Massimo Rivola, da Fórmula 1. Foi aí que as coisas começaram a mudar.

Com os conselhos de Iannone, a visão de Rivola e inteligência de Albesiano, os resultados começaram a aparecer com o valente Espargaró. Uma nova motocicleta foi desenvolvida para 2020, assim como um novo motor V4, com uma angulação mais aberta de 90 graus, a mesma da Ducati. Leia especificamente sobre isso aqui.



Em 2022 veio o primeiro grande momento na MotoGP: Com uma RS-GP bem acertada, Espargaró conseguiu vencer o GP da Argentina, a primeira vitória da Aprilia na Categoria Rainha. Foi a única do ano, mas o espanhol lutou matematicamente pelo título até as últimas etapas. Foram seis pódios naquela temporada.

Novas vitórias aconteceram em 2023 com Espargaró e em 2024 com Maverick Viñales, sendo o espanhol o único piloto a conseguir ganhar uma corrida sem uma Ducati naquele ano. Ao mesmo tempo, a Aprilia passava a contar, pela primeira vez, com o apoio de uma equipe satélite na MotoGP.

Marco Bezzecchi vence todas as corridas longas desde novembro do ano passado.

Essa competitividade atraiu o campeão daquele ano, Jorge Martin, a correr com uma Aprilia em 2025. Lesionado, após vários acidentes, ele pouco apareceu, mas a Aprilia foi a única motocicleta a oferecer alguma resitência ao domínio avassalador de Marc Márquez.

Com a ausência de Márquez nas últimas corridas do ano passado, Raul Fernandez e Marco Bezzecchi engataram uma sequência de vitórias que permanece interrompida apenas por Alex Márquez (Ducati) no GP da Malásia. A Aprilia não perde uma corrida longa desde o GP de Portugal em novembro.

Qual é o segredo da Aprilia? Entender o regulamento, contratar as pessoas certas, nunca parar de aprender e ter humildade para copiar o que dava certo nas motos rivais. A aerodinâmica da RS-GP hoje é referência na MotoGP, de uma complexidade só equiparada à Ducati.

É difícil prever o que vai acontecer nas próximas corridas, afinal a motocicleta não faz todo o trabalho. O piloto precisa corresponder. Mas não há dúvida que a Aprilia vai dar tudo para chegar ao sonhado título. No ano que vem, motocicletas completamente diferentes vão entrar na pista, no que pode ser o início de outra fase na MotoGP.

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