A Aprilia RS-GP é a motocicleta mais rápida da MotoGP no momento. Muito disso deve-se à sua aerodinâmica altamente sofisticada que faz uso de um sistema banido na Fórmula 1 na década passada: o “F-Duct.”

Depois de dominar os testes pré-temporada, a RS-GP continuou a surpreender no GP da Tailândia, no último fim de semana. Marco Bezzecchi liderou todos os treinos e venceu a corrida principal com tranquilidade. Só não fez um hat-trick porque caiu na Sprint Race. Quatro Aprilias estavam entre os cinco primeiros.
A Aprilia leva a sério os seus estudos aerodinâmicos e já registrou diversas patentes nos últimos anos. Como já havíamos falado em uma matéria anterior, até o piloto é encarado como peça aerodinâmica. E agora, ele está sendo uma parte fundamental para fazer o “F-Duct” funcionar em uma moto. Mas como é isso?
Quem acompanha a Fórmula 1 há bastante tempo certamente lembra-se desse nome. Introduzido no McLaren MP4/25 de 2010, o sistema aerodinâmico aumentava a velocidade máxima ao “estolar” a asa traseira nas retas. O piloto bloqueava um duto de ar no cockpit com o joelho ou a mão, desviando o fluxo para reduzir o arrasto da asa.
Funcionava como aerodinâmica ativa, ou seja, gerando força descendente nas curvas, mas reduzindo o arrasto nas retas. A FIA interpretou isso como uma violação dos regulamentos (peças aerodinâmicas móveis não são permitidas) e o sistema foi rapidamente banido da Fórmula 1.

A RS-GP 2026 utiliza canais aerodinâmicos que atravessam a moto, do para-brisa até a extremidade traseira, com uma entrada e uma saída em cada lado da carenagem. Com o cotovelo, o piloto cobre o orifício de entrada nas retas, interrompendo o fluxo de ar e reduzindo o arrasto aerodinâmico, aumentando a velocidade máxima.
Ao se aproximar de uma curva, no entanto, o piloto abre o antebraço e a força descendente retorna, melhorando a pressão aerodinâmica onde realmente precisa. É como ter uma configuração de moto diferente, para retas e outra para curvas.
A moto possui aberturas ovais alongadas com bordas de borracha na parte superior da carenagem, onde os antebraços do piloto se encaixam quando ele está agachado nas retas. Além disso, o ar entra no macacão através de um material poroso resfriando o piloto e absorvendo o suor evaporado, melhorando também o seu bem estar.
Ou seja, o sistema tem duas funções: melhora o desempenho aerodinâmico em retas e curvas e também mantém o piloto mais à vontade ao pilotar a moto, com melhor ventilação. A Aprilia já tinha histórico com problemas de superaquecimento dos pilotos nos últimos anos.

Na Fórmula 1, esse duto também acabou sendo banido porque o piloto precisava tirar uma das mãos do guidão para cobri-lo, o que foi considerado perigoso. Na Aprilia, os pilotos não precisam tirar as mãos do guidão em nenhum momento. Não há brechas ou truques com o regulamento.
E como a Aprilia teve essa ideia? É possível que a sugestão tenha partido do diretor da equipe, Massimo Rivola, que antes de assumir a função, em 2019, veio da Fórmula 1 depois de passar muitos anos nas equipes Minardi/Toro Rosso e Ferrari.
O impacto da velocidade da Aprilia na primeira etapa foi grande. Em nenhum momento o campeão de 2025, Marc Márquez dominou e pela primeira vez desde 2021 nenhuma Ducati subiu ao pódio, depois de 88 corridas. “Nesse momento, já não somos os mais rápidos” disse Pecco Bagnaia. Será que eles vão continuar dominando?
