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Goiânia 1987: quando a MotoGP correu no Brasil em uma cidade contaminada por um acidente radioativo

Lucas Carioli 20 de março de 2026

Era setembro de 1987 quando o Mundial de Motociclismo desembarcou em Goiânia para disputar aquela que seria a sua primeira corrida no Brasil. Mas, enquanto isso acontecia, a cidade estava vivendo um acidente radioativo, até hoje o maior do mundo sem o envolvimento de uma usina nuclear.

Equipe e pilotos desembarcaram no Brasil no último final de semana de setembro de 1987 com as dúvidas habituais de uma viagem longa e cara. O país nunca havia organizado um GP de motociclismo antes, mas a experiência dos organizadores brasileiros com a Fórmula 1 deixava todos mais tranquilos.

Vir para a América do Sul era (e ainda é) uma viagem longa e cara para as equipes sediadas na Europa. Por isso, apenas a classe principal, 500cc (com 18 pilotos) e as 250cc (com o título decidido) vieram à Goiânia. A 125cc ficou de fora e só apareceria por aqui pela primeira vez em 1992.



Wayne Gardner (Honda) liderava o campeonato sobre Eddie Lawson (Yamaha) e já poderia conseguir o título antecipadamente, o primeiro de um australiano nas 500cc. Suas perspectivas ficaram ainda melhores quando os pneus Dunlop especiais de Randy Mamola (Yamaha) estranhamente se perderam no caminho. Um rival a menos.

Mas apesar da desconfiança inicial, pilotos e imprensa ficaram agradavelmente surpreendidos em Goiânia. Além da pista rápida e fluída, as instalações eram muito boas. Como sempre acontecia, o paddock costumava permanecer reunido, todos hospedados próximos no mesmo local e com os mesmos serviços de transporte para o circuito.

Eles não tinham noção do problema que estava se desenvolvendo a poucos quilômetros dali. Uma máquina de radioterapia havia sido abandonada descuidadamente em um ferro-velho e, quando foi aberta, em busca de peças que pudessem valer algum dinheiro, um pó azul brilhante apareceu chamando a atenção de quem a encontrou.

Era Césio-137, componente altamente radioativo que fazia parte de um equipamento radioterapêutico fabricado nos Estados Unidos e descartado pelo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). A contaminação começou em 13 de setembro.



Esse material radioativo entrou em contato com as pessoas que o encontraram e, naturalmente, começou a circular em roupas e objetos e depois de casa em casa sem que elas percebessem o risco a que estavam se expondo. Os sintomas não demoraram a aparecer: vômitos, diarréia e estranhas queimaduras na pele que ninguém conseguia explicar.

Eles estavam experimentando os primeiros sintomas da “síndrome aguda da radiação”, comum em acidentes nucleares ou radiológicos. Ocorre a deteorização da medula óssea, afetando a capacidade de reprodução das células e resultando na degradação rápida de vários órgãos e tecidos, muitas vezes de forma letal.

Chernobyl 1986? Não, Goiânia, 1987!

Os profissionais de saúde, sem nenhuma experiência com radiação, pensaram tratar-se de algum tipo de doença contagiosa desconhecida, medicando os doentes conforme os sintomas descritos. O governo tentou minimizar a situação escondendo dados para não gerar pânico e caos, inclusive entre os estrangeiros que chegavam à Goiânia para a corrida.

Quando as autoridades finalmente reagiram, o estrago já era grande. Ruas foram interditadas e, como ninguém sabia exatamente onde o pó se encontrava, as pessoas evitavam até sair de casa, com medo de contaminação. Goiânia começou a viver um filme pós-apocalíptico típico da guerra fria. Para os mais jovens, parece o prelúdio de uma pandemia.

Mas no autódromo de Goiânia, o Grande Prêmio do Brasil transcorreu sem grandes incidentes. Gardner largou na pole position e dominou a corrida do início ao fim, conquistando o histórico título. Eddie Lawson, Randy Mamola, Didier de Radigues e Christian Sarron terminaram logo atrás. Todos os estrangeiros ficaram bem satisfeitos com a etapa.

Entre os ícones aqui presentes estava Freddie Spencer. O tricampeão mundial conseguiu a sétima posição no grid, mas sentiu-se mal antes da corrida e não participou. No Brasil essa semana, para a etapa de 2026, ele revelou para nós, em primeira mão, que sofreu de uma intoxicação alimentar. Você pensou o mesmo que eu? Felizmente não era nada de mais…

É realmente difícil mensurar por onde o Césio-137 pode ter circulado. Diz-se que parte do elemento radioativo chegou a ser jogado no vaso sanitário de uma das vítimas, no que pode ter contaminado até a água encanada da região! Cientistas do mundo inteiro vieram acompanhar o caso, inclusive da URSS, ainda se recuperando do desastre de Chernobyl em 1986.

Conversando com jornalistas que acompanharam a etapa in loco, eles garantem que ninguém no autódromo fazia ideia do que estava acontecendo em Goiânia e só foram tomar conhecimento depois. E de fato, as primeiras mortes começaram a ocorrer apenas no mês de outubro, algumas enterradas em caixões de chumbo, como em Chernobyl.

Estima-se que cerca de 100 pessoas morreram nos anos seguintes pela contaminação, decorrente de câncer e outros problemas, e cerca de 1.600 tenham sido afetadas diretamente. Boa parte daquelas casas inicialmente contaminadas precisaram ser demolidas e levou anos até que desconfiança e o preconceito fossem superados no local.

Hoje, o contexto, claro, é completamente diferente. Assim como o autódromo, a cidade de Goiânia passou por uma revitalização e já não tem a mesma imagem “assustadora” que ficou após o acidente e levou anos para apagar. Tomara que, de agora em diante, a MotoGP tenha lá um lar no Brasil para chamar de seu.

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