Presente no Brasil essa semana para promover o seu trabalho de coach de mulheres pilotos da Royal Enfield, Freddie Spencer esclareceu um mistério que existia desde o GP do Brasil de 1987, a primeira etapa da motovelocidade em solo brasileiro, realizada há quase 40 anos.

Pela primeira vez desde 2004 temos o Mundial de Motovelocidade em nosso país e um dos nossos maiores convidados é sem dúvida Freddie Spencer, tricampeão mundial em 1983 e 1985 (esse ano nas 500cc e 250cc) e um dos participantes do primeiro GP do Mundial nessa mesma pista de Goiânia em 1987.
Bem, quase. Naquele ano, Spencer veio à Goiânia, treinou, se qualificou em sétimo lugar… mas não apareceu no grid de largada para a histórica corrida que, além de ter sido a primeira em solo brasileiro, coroou Wayne Gardner como o primeiro campeão australiano da categoria.
O que aconteceu? Com tantas estrelas no grid, como Gardner, Eddie Lawson, Randy Mamola e os recursos limitados da época, ninguém conseguiu descobrir o que havia acontecido com Spencer. De acordo com a Wikipédia, ele não largou devido a problemas com suas lentes de contato.

Nada disso. Questionado a respeito (talvez pela primeira vez) pelo jornalista Lucas Giavoni, do site parceiro, GPtotal, presente na coletiva de imprensa com os jornalistas convidados em São Paulo, Spencer disse que não largou devido a uma… intoxicação alimentar!
“Sim, eu realmente fiz as sessões de treino, a qualificação, mas não larguei por causa de uma intoxicação alimentar. Foi de alguma coisa que eu comi naquele fim de semana. Mas eu gostei da pista de Goiânia“, disse Spencer.
Depois do histórico ano de 1985, Spencer começou a sofrer com problemas físicos e de saúde. Uma estranha fraqueza o acometia no braço direito, justamente o responsável por acelerar. Síndrome Compartimental, Síndrome do Túnel do Carpo, foram muitas as explicações para os problemas, nunca completamente esclarecidas.
Spencer ainda faria participações irregulares até 1993, quando parou de vez. Desde então, ele se estabeleceu como instrutor de pilotagem, tendo uma escola mundialmente famosa na Califórnia, além de testar superbikes para as revistas norte-americanas. Nos últimos anos integrou o painel de comissários da MotoGP, substituído no ano passado por Simon Crafar.

Atualmente, Spencer é coach líder do programa BTR (Build. Train. Race.), uma iniciativa da Royal Enfield que forma mulheres pilotos em parceria com o MotoAmerica. Além das técnicas de pilotagem, elas aprendem sobre mecânica e a ter uma melhor interação com a motocicleta.
“Tenho lembranças muito vívidas da paixão do público brasileiro pelas corridas. Agora, voltar como mentor para apoiar crescimento do B.T.R. e ver de perto a energia das brasileiras pilotos, fãs da Royal Enfield e do motociclismo é especial. Estou animado para encontrar muitas pessoas e compartilhar um pouco sobre o que aprendi — técnica, mentalidade e respeito pela máquina — e ver esse espírito florescer no Brasil“, acrescentou o piloto de 64 anos.
Spencer fica no Brasil até 22 de março, com compromissos oficiais em São Paulo-SP e Goiânia-GO, incluindo encontros com a imprensa e uma agenda especial durante os dias da MotoGP, com presença no Duas Rodas Club, camarote da revista Duas Rodas durante o Grande Prêmio.



