Durante o lançamento da GSX-8R, a Suzuki disponibilizou algumas unidades da naked GSX-8S para que os jornalistas sentissem melhor as diferenças. É claro que fizemos a nossa comparação.
Irmãs de sangue, a GSX-8S e GSX-8R compartilham a mesma plataforma, o novo motor de dois cilindros em linha de 776 cm³ com ordem de ignição a 270º, a nova moda dos engenheiros. Os números de desempenho são os mesmos, 83 cv a 8.500 rpm e 7,95 kgf.m a 8.250 rpm.
O quadro do tipo tubular de aço também é o mesmo, com a parte de trás aparafusada à estrutura principal, outro método conteporãneo de construção. As diferenças, portanto, ficam por conta da carenagem, ergonomia e suspensão, que é bem diferente.
As diferenças começam pela carenagem integral da GSX-8R. De acordo com a Suzuki, foi desenvolvida em túnel de vento, assim como o tímido para-brisa e os espelhos, para melhor a penetração aerodinâmica e a turbulência que sempre acontece em alta velocidade nas estradas.
Talvez a principal alteração esteja na suspensão. Enquanto a GSX-8S utiliza garfos KYB de 43 mm não reguláveis, a GSX-8R vem com unidades Showa Big Piston Fork de 41 mm reguláveis, também utilizado pela Honda CBR650R e Triumph Daytona 660. O curso é o mesmo, 130 mm.
As rodas de alumínio fundido e os pneus Dunlop Sportmax Roadsport 2 também são os mesmos, assim como o sistema de freios composto por dois discos de 310 mm na dianteira mordidos por pinças Nissin de 4 pistões e outro disco de 240 mm com pinça de pistão único na traseira.
A Suzuki também não alterou em nada as medidas gerais das duas motos. A distância entre-eixos de 1.460 mm, o trail de 104 mm, o ângulo de esterço de 25º e até a altura do assento, de 810 mm, são rigorosamente as mesmas. Apenas o peso diverge: 202 kg na naked, 205 kg na carenada.
Feita essas comparações técnicas, hora de sentir na prática como elas são. O teste aconteceu no interior de São Paulo, na pistinha de 2,5 km do Haras Tuiuti, que não tem muito espaço para acelerar até o limite. Para se ter uma ideia, nem a quinta marcha conseguimos colocar nas duas retas de lá.
Ao sentar na GSX-8R o que imediatamente chama atenção são os dois semi guidões de alumínio fundido. Eles não são tão baixos quanto os de uma GSX-R1000, assim como as pedaleiras não são tão recuadas. É uma posição claramente esportiva, porém cômoda.
Ainda assim, bastou um par de voltas para que meus cansados punhos começassem a doer, o que pode ter acontecido devido à tensão do momento, do asfalto ondulado, das curvas extremamente fechadas ou de tudo isso junto. Na reta, o baixo para-brisa convida você a se agachar em busca de velocidade.
O motor tem aquele barulhinho clássico de um V-Twin, embora seja um dois em linha, resultado da ordem de ignição à 270º e não a 180º como estamos acostumados. É a mesma ordem da Yamaha MT-07, da Royal Enfield Interceptor 650 e de muitas outras bicilíndricas médias atuais.
É um motor realmente progressivo, que empurra bem e sem vácuos desde a primeira marcha. Pena que a reta do circuito acabava na hora de ver o ponto em que esses motores costumam ficar sem fôlego, nas marchas mais altas. Quer dizer, faltou pista para a moto.
Hora de passar para a GSX-8S. Já nos primeiros metros, senti um certo alívio. O guidão mais alto e próximo do peito aliviou a pressão dos meus punhos. Não há dúvida de que a postura na versão naked é definitivamente mais urbana e relaxada.
Pode ser impressão minha, mas a sensação que tive é de que a GSX-8S é mais macia, embora os números da suspensão sejam os mesmos. Talvez pelo peso maior da GSX-8R, as bengalas estejam trabalhando de forma mais comprimida. Ou talvez seja a regulagem escolhida para o teste.
O fato é que a GSX-8S parecia mais a vontade nessa pista de curvas travadas e poucas retas. A falta de carenagem não chegou a incomodar, mas isso pode fazer muita diferença na estrada, após várias horas de pilotagem. Provavelmente o mercado irá oferecer um para-brisa mais alto para a GSX-8R.
Então, qual das duas é a melhor? A resposta é: depende. Não há dúvida de que a GSX-8S é uma motocicleta mais amigável na primeira voltinha, especialmente para quem está vindo de motos menores e não pretende sair da cidade.
A GSX-8R, porém, é mais bonita e veste melhor àqueles que pretendem usá-la nas estradas e até track days. A proteção aerodinâmica cansa menos e gera até alguma economia de combustível nessas condições. Em outras palavras, a versão carenada parece se relacionar melhor com motociclistas mais experientes. Experimente as duas e veja qual é melhor para você.